Despesas e Viagens

Dever de diligência na prática: como estruturar um plano de duty of care sem falhas

SAP Concur Team |

Quando uma empresa envia um colaborador para uma viagem a trabalho, assume uma responsabilidade que vai além da logística de passagens e hospedagem. O duty of care, conceito central na gestão de segurança corporativa, define a obrigação legal e ética da organização de zelar pelo bem-estar de quem representa a empresa fora do ambiente habitual de trabalho.

Ignorar esse compromisso pode gerar consequências operacionais, jurídicas e reputacionais difíceis de reverter. O problema é que muitas empresas ainda operam de forma reativa: agem quando o problema já aconteceu, em vez de antecipar riscos e estabelecer protocolos claros.

Isso cria lacunas perigosas, especialmente em situações críticas como emergências médicas, cancelamentos em cascata, instabilidade política no destino ou simplesmente a incapacidade de localizar um colaborador em campo.

Este texto apresenta o que está por trás dessas falhas e, mais importante, como estruturar um plano consistente de gestão de segurança em viagens corporativas. Da identificação de riscos à definição de protocolos e ao papel da tecnologia nesse processo, o objetivo é oferecer um caminho prático para quem precisa colocar o dever de diligência em funcionamento de verdade. Continue a leitura!

Por que o dever de diligência falha nas empresas?

A resposta curta é: porque a maioria das empresas não trata o tema como processo contínuo. O dever de diligência costuma aparecer nos documentos internos, em políticas de viagem e em apresentações de compliance, mas raramente se traduz em rotinas operacionais concretas.

O resultado é uma estrutura que parece organizada no papel, mas não resiste ao primeiro evento inesperado. Quando um colaborador precisa de apoio em um destino internacional, as perguntas básicas frequentemente ficam sem resposta imediata:

  • Quem aciona o suporte?
  • Existe um canal de contato ativo?
  • Há registro atualizado de onde essa pessoa está?

Outro fator que contribui para essas lacunas é a falta de integração entre áreas. RH, financeiro e o time responsável pelas viagens corporativas costumam operar com sistemas e informações separados. Isso fragmenta a visão sobre o colaborador em trânsito e dificulta qualquer resposta coordenada diante de uma crise.

O que é o duty of care, na prática?

O conceito tem raízes no direito anglo-saxão e foi incorporado à gestão corporativa como um princípio de responsabilidade ativa. Na prática, ele representa a obrigação da empresa de identificar riscos, comunicar informações relevantes ao colaborador e garantir suporte real ao funcionário em caso de necessidade, antes, durante e depois de cada deslocamento.

Isso não se resume a contratar um seguro de viagem. O duty of care envolve monitoramento de itinerários, avaliação de destinos de risco, canais de comunicação acessíveis e protocolos definidos para diferentes cenários. A empresa precisa saber onde cada colaborador está e como chegar até ele.

No contexto brasileiro, a responsabilidade das empresas em relação à segurança do colaborador tem respaldo na legislação trabalhista e nas normas de saúde e segurança ocupacional.

Mesmo em deslocamentos internacionais, a organização mantém obrigações que vão além do contrato formal de trabalho.

Como estruturar um plano eficaz?

Construir um plano de gestão de segurança em viagens corporativas exige mais do que listar procedimentos. É preciso definir responsabilidades e criar fluxos de comunicação, de modo a garantir que todos os envolvidos conheçam o que fazer antes que qualquer incidente ocorra.

Política de viagens como base

O ponto de partida é uma política de viagens clara, atualizada e acessível. Ela deve especificar quais destinos requerem aprovação prévia, quais coberturas de seguro são obrigatórias e quais os critérios para acionar suporte emergencial.

Lembre-se de que documentos genéricos não funcionam: a política precisa prever situações reais e indicar caminhos concretos.

Definição de responsáveis e protocolos

Cada etapa do processo precisa ter um responsável identificado. Quem faz o briefing de segurança antes da viagem? Quem monitora o itinerário em tempo real? Quem aciona o suporte em uma emergência médica? Essas respostas precisam estar definidas antes da viagem acontecer, não no momento da crise.

Comunicação contínua com o colaborador

Manter contato durante a viagem não é microgestão: é parte do dever de diligência. A empresa deve estabelecer pontos de contato regulares, canais alternativos de comunicação e protocolos de resposta quando o colaborador não é localizado dentro de um prazo definido.

Como mapear riscos em viagens corporativas?

O mapeamento de riscos é a etapa que transforma a intenção de proteger o colaborador em ação concreta. Sem esse diagnóstico, qualquer plano de gestão de segurança fica baseado em suposições.

É muito importante que esse levantamento seja feito antes de cada viagem e revisado periodicamente, à medida que o contexto de destinos frequentes se altera.

Os principais fatores a considerar nesse mapeamento são os seguintes:

  • perfil do destino: estabilidade política, índices de criminalidade, condições de saúde pública e infraestrutura local;
  • perfil do colaborador: condições de saúde preexistentes, experiência em viagens internacionais, idioma falado no destino;
  • histórico de incidentes: registros anteriores de problemas em determinados destinos e rotas;
  • natureza da viagem: duração, agenda de compromissos, grau de exposição pública do colaborador;
  • cobertura disponível: tipo de seguro contratado, rede de assistência local e acesso a serviços médicos no destino.
  • janelas de vulnerabilidade: períodos sem agenda definida, conexões em aeroportos de risco, deslocamentos noturnos.

Quais são os erros comuns na gestão de segurança?

Mesmo empresas com políticas de viagem bem estruturadas cometem erros que comprometem a proteção ao colaborador. Conhecer os padrões mais frequentes ajuda a identificar pontos cegos antes que eles se tornem problemas reais. Vamos conferir cada um deles.

Planejamento feito apenas para o cenário ideal

A maioria das políticas de viagem corporativa é desenhada para funcionar apenas em contexto em que tudo corre bem. Atrasos, cancelamentos, greves, emergências climáticas e instabilidade local raramente aparecem nos roteiros padrão.

Um plano robusto de compliance corporativo precisa contemplar cenários adversos com a mesma atenção dedicada ao roteiro principal.

Informações fragmentadas entre sistemas

Quando os dados de reserva de passagem estão em um sistema, as informações de saúde do colaborador em outro e os contatos de emergência em uma planilha separada, qualquer resposta coordenada vira um exercício de improviso.

A falta de integração entre ferramentas é um dos principais fatores que aumentam o tempo de resposta em situações críticas.

Ausência de revisão após incidentes

Empresas que vivenciaram problemas em viagens corporativas raramente formalizam as lições aprendidas. O episódio é resolvido, o colaborador retorna, e o processo segue igual. Sem revisão sistemática, os mesmos erros tendem a se repetir.

Como o SAP Concur Expense apoia a segurança do colaborador?

A tecnologia tem um papel central na operacionalização do duty of care, especialmente quando se trata de consolidar informações dispersas em uma visão integrada da viagem corporativa.

O SAP Concur Expense conecta dados de despesas, itinerários e deslocamentos em uma única plataforma, o que facilita o acompanhamento em tempo real de colaboradores em campo. Em vez de depender de e-mails e planilhas para rastrear quem está onde, as equipes responsáveis pela gestão de segurança têm acesso a informações atualizadas em um único ambiente.

A plataforma também contribui para a padronização de processos: aprovações de viagem, registros de despesas e verificações de conformidade seguem fluxos definidos, reduzindo a dependência de decisões tomadas de forma manual e descoordenada. Isso diminui o espaço para falhas humanas em etapas críticas do processo.

No contexto da segurança em viagens corporativas, contar com uma solução integrada significa que, em caso de incidente, a empresa tem acesso imediato ao itinerário completo do colaborador, ao histórico de deslocamentos e aos dados de contato necessários para acionar o suporte adequado.

Estruturar um plano eficaz de duty of care não é tarefa de um único setor nem de um único momento. É um processo contínuo que exige revisão regular, integração entre áreas e comprometimento genuíno com a proteção ao colaborador.

Quando bem implementado, uma política de duty of care ele reduz riscos, fortalece o compliance corporativo e demonstra, na prática, que a empresa trata a segurança de quem a representa como uma prioridade real, não como protocolo de fachada.

Se o suporte ao colaborador ainda depende de improviso, vale conhecer como as soluções SAP ajudam a estruturar esse processo. Saiba mais sobre o Concur Expense!

FAQ

O que significa duty of care no ambiente corporativo?

É a obrigação legal e ética da empresa garantir a segurança e o bem-estar dos colaboradores durante viagens a trabalho.

A legislação brasileira obriga as empresas a seguir o duty of care?

Sim. A CLT e as normas de saúde e segurança ocupacional estabelecem responsabilidades que se estendem aos deslocamentos profissionais.

Qual é o primeiro passo para estruturar um plano de gestão de segurança?

Revisar a política de viagens existente e identificar lacunas em relação a protocolos de emergência e canais de comunicação.

Como saber se um destino representa risco elevado?

Consulte índices de segurança internacionais, alertas de viagem de órgãos governamentais e o histórico de incidentes da própria empresa naquele destino.

O SAP Concur Expense substitui uma política de viagens?

Não. A tecnologia apoia a execução e o monitoramento, mas a política de viagens precisa existir como documento orientador anterior a qualquer ferramenta.

O que fazer quando um colaborador não responde durante uma viagem corporativa?

A empresa deve acionar imediatamente o protocolo de comunicação de emergência definido na política de viagens. Se o silêncio persistir o caso deve ser escalado para o RH e, conforme a situação, para autoridades consulares do país de destino.

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