Empresas e o futuro Eco-Lógico: é preciso recalcular a rota!

Por: Lívia Humaire, Especialista e Mentora em Negócios Eco-Lógicos

Estamos vivendo a década mais crucial para a humanidade de acordo com o consenso científico global. Nesse contexto, é muito importante que um esforço massivo e coletivo seja feito para que possamos mudar o curso que estamos trilhando, na verdade com muita intensidade desde os processos de revolução industrial, no qual as grandes indústrias nasceram e se tornaram players realmente bons no que fazem, mas, esse movimento de imenso progresso na sociedade colocou em pauta o colapso socioambiental que estamos vivendo hoje.

É preciso recalcular a rota!

Algumas pessoas dizem que apenas nós, seres humanos, sofreremos com o impacto das mudanças climáticas, e que o planeta poderá se recuperar. Na verdade, não temos certeza disso. De fato, os danos às espécies não humanas são tremendos e não sabemos as implicações desse processo, caso não tenhamos construído a única alternativa possível de continuarmos a habitar este planeta - voltarmos a caber dentro da biosfera.

Minha trajetória e processo de transição eco-Lógica começou quando ingressei na Universidade, e segue acontecendo até hoje, porque este é um processo longo e de muita persistência. É complicado criar processos regenerativos em um sistema que teima em degenerar. É preciso construir muitas estratégias para fugir do que o sistema nos diz como devemos levar nosso cotidiano.

Vou dar um exemplo de escala individual e pessoal. Imaginem que quando me dei conta  do que era um lixão e um aterro sanitário, tanto do ponto de vista tecnológico, quanto do ponto de vista social, busquei muitas formas de deixar de contribuir com esse sistema. E por mais que todas as facilidades e caminhões da prefeitura estejam dispostos a levar todos os dias nossos resíduos para um aterro ou um lixão, passei a fazer com que meus sacos de lixo chegassem ao mínimo possível.

Como adepta do movimento zero waste (desperdício zero), reduzi mais de  85% das embalagens da minha lavanderia, eliminei 100% de todos os produtos químicos quando passei a produzir os meus próprios, parei de usar xampus e qualquer produto cosmético que vinham embalados em plástico, e compostava o lixo orgânico em casa. Sim, me tornei uma pessoa extremamente radical.

Mas, apesar de muitos esforços e renúncias, ações individuais são limitadas. São limitadas porque esbarram em uma estrutura, em um todo que faz diferente. E no momento, somos a sociedade do consumo voraz, e também uma sociedade do descarte, como bem coloca Bauman (2008), ou seja, geramos muito lixo e muito impacto ambiental negativo através da "simples" atividade de reproduzir nossa vida humana.

Para ampliarmos nossas ações individuais e conseguirmos alterar estruturas, precisamos de todos os agentes envolvidos no processo: governos, formuladores de políticas públicas, empresas, instituições, sociedade civil, ativistas, todos!

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São muitas e diversas as frentes de atuação para uma mudança estrutural - educação, segurança alimentar, saúde, políticas públicas, negócios, entre outras. Nos últimos anos tenho me dedicado à frente dos negócios, mais especificamente o que chamo de negócios eco-lógicos.

Em 2018, muito conectada ao movimento zero waste fora do Brasil, idealizei, fundei e articulei a primeira loja desse segmento no país, que se tornou um case de sucesso e uma referência em sustentabilidade forte.

A questão primordial e inovadora da pequena loja na icônica rua Augusta era que toda a estrutura do negócio já nasceu eco-Lógica. Desde a não impressão de cupons fiscais, até todo o processo de envio e recebimento dos fornecedores ao espaço, a curadoria dos mais de 500 produtos e 80 fornecedores locais, passaram por critérios que desenhei pessoalmente para que aquele espaço deixasse de produzir resíduos e pudesse servir de apoio às transições ecológicas de outras pessoas.

Após a venda da loja em fevereiro de 2020 fundei na Europa uma consultoria e desenhei uma metodologia de cadeias sustentáveis para produtos. Nesse processo passei a mentorar empreendedores que queriam inserir o drive ecológico em seus negócios. Tudo isso resultou em um livro: Sua empresa é uma árvore - guia prático para projetar negócios ecológicos, onde apresento uma metodologia e ferramenta para projetar negócios ecológicos, negócios estes que são necessários para chegarmos a um mundo ecologicamente justo. Eles não são perfeitos, mas, são capazes de mudar parâmetros, processos, estruturas e vislumbram uma mudança sociotécnica.

São cinco os fundamentos básicos dos negócios ecológicos: promovem a redução do impacto ambiental negativo, promovem o alto impacto social positivo, se baseiam na mudança de hábitos reais, conformam uma comunidade engajada e ativista no seu entorno, e promovem mudanças sociotécnicas, estas que têm potencial de acontecer em períodos de décadas[1]

Para empresas que já existem, há a possibilidade de transicionar e fortalecer mudanças em direções sustentáveis na sociedade. A primeira coisa é entender o problema e querer fazer parte da solução de forma concreta. Existem as empresas que nascem para resolver estes problemas socioambientais, e as empresas que precisam transacionar e encontrar um propósito socioambiental positivo. São estratégias diferentes e desafios muito diferentes para cada um desses negócios.

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Um ponto importante para negócios que precisam transicionar é olhar para a atividade da empresa e entender se essa atividade faz sentido em um mundo ecológico. Um bom exemplo disso é pensar em uma petrolífera hoje, com certeza, e espero que eu esteja certa, ela não existirá nos próximos anos, e não é a toa que este setor é um dos que mais investem em energias alternativas.

Em se tratando da própria estrutura da empresa, fazer um bom diagnóstico e inventário de todo o impacto ambiental negativo e de desperdícios que podem ser reduzidos é fundamental. Algumas ações práticas nesse sentido: estimular caronas entre funcionários, substituir lâmpadas por led, fazer uma ótima e verdadeira gestão de resíduos dentro de casa, e uma série de outras coisas que com certeza surgirão no decorrer do diagnóstico.

Apoiar iniciativas e projetos que estão mudando processos de trabalho e ambientais também é indicado para empresas que querem fazer parte da mudança real. Por exemplo, se conectar a projetos como os que a Route promove como a SAP Concur já está fazendo, aumenta a atuação da empresa, gerando mais potencial de ação socioecológica.

Com toda a certeza o drive ecológico precisa acontecer de forma consistente, ao menos é o que todas as evidências científicas nos dizem. As transformações precisam acontecer urgentemente em todos os âmbitos, do pessoal à esfera dos negócios e governos. Já parou pra pensar quais práticas você e sua empresa podem mudar hoje para promover um futuro ecológico?

Me chamo Lívia Humaire, sou especialista em Negócios Eco-Lógicos, fundadora do Transições Eco-Lógicas e autora do livro Sua empresa é uma árvore - guia prático para projetar negócios ecológicos.


[1] Para saber mais sobre esse processo indico a leitura do meu livro: Sua empresa é uma árvore: guia prático para projetar negócios ecológicos.

 

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