Jornada da Economia - Por que a sua empresa deve se preocupar com a inflação?

19/04/2021, por Luís Artur Nogueira, Economista, Jornalista e Palestrante.

Conforme venho destacando desde o início da nossa Jornada da Economia, em março, o desempenho do Brasil em 2021 depende diretamente do avanço da vacinação. Quanto mais rápido conseguirmos imunizar a população adulta, menos “lockdowns” serão decretados.

No primeiro artigo e no primeiro vídeo da Jornada, anunciei que a minha previsão é de crescimento da economia brasileira entre 3% e 3,5% neste ano. Por ora, mantenho essa estimativa, apesar de riscos sanitários, políticos, eleitorais, jurídicos e fiscais. Como sempre digo, o Brasil não é para amadores...

Neste artigo, no entanto, gostaria de abordar um tema que voltou a causar preocupações. Trata-se da escalada inflacionária, que, num ambiente de atividade econômica fraca, não deveria ser um problema.

Em teoria, os preços de mercadorias e serviços tendem a subir mais quando a economia está bombando. É a tal inflação de demanda. Esse fenômeno aconteceu no 2º semestre do ano passado, quando o setor de materiais de construção, por exemplo, vivenciou uma explosão na demanda por causa do auxílio emergencial.   

Há também a inflação de oferta, na qual os custos de bens e serviços sobem independentemente da demanda. É exatamente o que está acontecendo atualmente com o petróleo. Os países produtores, representados pelo cartel da Opep, simplesmente decidiram controlar a oferta do produto para que a cotação internacional subisse, aumentando suas margens de lucro.

No Brasil, o impacto é ainda mais acentuado. Além de o valor do barril do petróleo ter subido em dólar, a cotação da moeda americana frente ao real também aumentou, o que tornou inevitável o repasse aos preços dos combustíveis.

Em termos práticos, a inflação oficial no Brasil, medida pelo IPCA, acumula alta de 6,10%, ultrapassando o teto da meta deste ano (5,25%), o que não ocorria deste 2016. O preço dos alimentos, em particular, afeta principalmente o poder de compra da baixa renda.

Já o IGP-M, conhecido por reajustar contratos de aluguel, acumula alta de incríveis 31,10% em 12 meses. Esse indicador é muito contaminado por elevação no atacado e pela desvalorização cambial. O risco é de uma parte do IGP-M respingar no IPCA.

Eu, particularmente, acredito que teremos uma tendência de desaceleração da inflação ao longo do ano, tanto no IPCA quando no IGP-M. A alta dos juros pelo Banco Central, o desemprego elevado, a volta do auxílio emergencial com valor menor e uma acomodação dos preços dos alimentos devem reduzir o ímpeto inflacionário, permitindo o cumprimento da meta.

Isso não significa, entretanto, que devamos deixar de monitorar os preços. E chego, assim, à questão central deste artigo. Por que a sua empresa deve se preocupar com a inflação?

Basicamente por dois motivos. O primeiro deles é o impacto que a inflação tem no poder de compra da população. Se a sua empresa vende bens ou serviços diretamente para o consumidor final, a alta dos preços pode afetar diretamente a capacidade de consumo do seu cliente, derrubando suas vendas. Conforme já destaquei, a baixa renda é a mais penalizada pela inflação.

O segundo motivo é o impacto nos custos da sua empresa. Em muito setores, insumos e máquinas já estão mais caros, e quem depende de itens importados já sentiu o peso da alta do dólar. Há casos em que os empresários conseguiram substituir itens importados por similares nacionais – uma boa alternativa.

O difícil é repassar integralmente a alta dos custos para o preço final num ambiente econômico ainda desaquecido. Quando isso se torna impossível, a consequência imediata é a redução na margem de lucro da companhia.

Em tempos de inflação elevada, a minha sugestão é olhar com lupa as suas despesas, monitorá-las com o auxílio de softwares e tomar as decisões necessárias para readequá-las. Lembre-se: a empresa só consegue controlar aquilo que ela realmente monitora. E, para isso, a tecnologia é a sua grande aliada.

 

A Jornada da Economia disponibilizará, a cada quinze dias, um novo conteúdo aos participantes na áre ade Notícias e Blogs, nas redes sociais da SAP Concur e no canal gratuito do Telegram. A ideia é proporcionar o acompanhamento da evolução do cenário econômico para que ninguém seja pego de surpresa e possa tomar as melhores decisões corporativas.

 


Foto do perfil de Luís Artur Nogueira
Luís Artur Nogueira, economista, jornalista e palestrante, é colunista da ISTOÉ Dinheiro e do Portal iG, e debatedor no programa “Opinião no Ar”, na Rede TV!. A Jornada da Economia é uma parceria de conteúdo entre ele e a SAP Concur.