Sua empresa já sofre os efeitos da greenflation?

27/08/2021, por Luís Artur Nogueira, Economista, Jornalista e Palestrante. 

Se você ainda não ouviu falar sobre esse termo em inglês, estamos aqui, na Jornada da Economia, para lhe ajudar. Assim como a sigla ESG, a greenflation (inflação verde, em português) veio para ficar e já está sendo monitorada pelas instituições financeiras.

Trata-se do aumento de preços decorrente de novas formas de produção e de consumo no mundo, que são frutos de regulamentações ambientais ou de ações mais conscientes e voluntárias da humanidade. Portanto, a aclamada agenda de sustentabilidade tem gerado um efeito colateral (inflação) que não havia sido previsto.

Um exemplo simples: se milhares de consumidores decidem trocar vegetais “tradicionais” (mais baratos) por orgânicos (mais caros), o custo de vida dessas pessoas aumenta. Além disso, os preços dos orgânicos tendem a subir se a oferta não acompanhar essa mudança de hábito.

Com a implantação das boas práticas de ESG (meio ambiente, social e governança) no mundo corporativo, o fenômeno greenflation está afetando diversos bens e serviços. Recentemente, o presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, salientou que as cadeias de alumínio e madeira estão sofrendo uma elevação de custos para se tornarem mais sustentáveis.

O mundo vive alguns dilemas sobre os quais terá de se debruçar. Ao mesmo tempo em que a eletrificação verde (energia solar e eólica) necessita de alumínio e cobre, os protocolos ESG têm gerado uma diminuição nos investimentos nesses metais “sujos”. Portanto, para respeitar o meio ambiente, está sendo diminuído o investimento em novas minas e plataformas de petróleo que ajudariam a tornar a economia mais verde. O que fazer?

Até a China, que marcadamente tem sido uma grande poluidora do planeta por décadas, tem reduzido a produção de alumínio com o objetivo de atingir a neutralidade de carbono. O problema é que a China, sozinha, é responsável pelo fornecimento de 60% do metal no mundo. Como os projetos de energia limpa não param de crescer em vários países, o preço do alumínio já subiu 75% desde o ano passado. O mesmo ocorre com o cobre, cujo valor dobrou no mesmo período. É a velha lei da oferta e da procura.

O quadro deve piorar. Diante de alertas ambientais da ONU, por meio do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), há uma tendência global de busca por uma economia mais verde. Em plena pandemia, os preços das licenças de emissão de carbono mais do que dobraram, impactando o custo da eletricidade na Europa.

Conclusão: as regulamentações verdes estão estimulando a demanda por determinados bens e serviços e ao mesmo tempo, estão restringindo a oferta, alimentando a inflação verde. É o fenômeno greenflation, que está apenas começando e ficará entre nós por muito tempo.    

A Jornada da Economia disponibilizará, a cada quinze dias, um novo conteúdo aos participantes no site https://www.concur.com.br/news-center, nas redes sociais da SAP Concur e no canal gratuito do Telegram. A ideia é proporcionar o acompanhamento da evolução do cenário econômico para que ninguém seja pego de surpresa e possa tomar as melhores decisões corporativas.


Luís Artur Nogueira, economista, jornalista e palestrante, é colunista da ISTOÉ Dinheiro e do Portal iG, e debatedor no programa “Opinião no Ar”, na Rede TV!. A Jornada da Economia é uma parceria de conteúdo entre ele e a SAP Concur. Participe do grupo Jornada da Economia, no Telegram, e receba tudo em primeira mão!